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Histórico

O nome Cravinhos vem dos canteiros em que os trabalhadores das Fazendas Boa Esperança e Chumborazo costumavam cultivar flores, especialmente cravos. Alguns desses canteiros ficavam no entorno da estação da Companhia Mogiana de Estrada de Ferro, inaugurada no local em 1883 e já com o nome de Cravinhos.

A ocupação do território municipal se daria, a partir de 1876, com a chegada da família Pereira Barreto, em Ribeirão Preto, e com a organização de suas fazendas de café na região. Em 27 de abril de 1893, Cravinhos foi elevado a distrito de paz, pela Lei nº 125 e, pela Lei nº 551 de junho de 1897 recebeu foros de município, emancipado de Ribeirão Preto.

Adjetivo pátrio – Cravinhense.
Denominação promocional – Não tem.
Data de emancipação – 22/07/1897.
Fonte: SQUEFF, Enio; FERREIRA, Helder Perri. A Origem dos Nomes dos Municípios Paulistas. Imprensa Oficial. São Paulo, 2003.

Instalação da Primeira Câmara Municipal de Cravinhos
Cópia fiel da ata especial da instalação da Câmara Municipal de Cravinhos e da eleição de sua primeira Mesa Diretora:

Aos trinta dias do mês de janeiro de mil oitocentos e noventa e oito, nesta Vila de Cravinhos, no Paço da Câmara Municipal da referida Vila, na sala de suas sessões, às dezesseis horas, reuniram-se sob a Presidência do cidadão José Ferraz de Carvalho, vereador mais velho dos eleitos, os seguintes cidadãos:

Fernando Machado de Oliveira, Tenente Ernesto Gomes Jardim, José Nogueira Terra, Dr. Alfredo Rodrigues Jordão e Antônio de Azevedo Souza Júnior, que acabaram de prestar compromisso legal perante a Câmara Municipal de Ribeirão Preto, aqui representada pelo seu Presidente, Tenente Coronel Fernando Ferreira Leite, Vice Presidente Dr. João Caetano Álvares e vereadores: Leopoldo Marques da Motta Guimarães e Jéfferson Barreto. Pelo cidadão Presidente foi convidado a mim, Alípio César Rezende, abaixo assinado para servir de Sub-Secretário "ad-hoc" desta sessão, o que aceitei, prestando perante os Presidentes, o compromisso legal.

Em seguida, pelo cidadão Presidente foi dito que, na forma regimental se ia proceder a eleição do Presidente da Câmara Municipal, sendo para isso recolhida à urna seis cédulas com rótulo para Presidente da Câmara Municipal de Cravinhos. Feita a apuração na forma da lei, deu o resultado seguinte: José Ferraz de Carvalho, cinco votos; Dr. Alfredo Rodrigues Jordão, um voto; sendo então proclamado Presidente da Câmara, o cidadão José Ferraz de Carvalho, que assumiu o cargo definitivamente. Pelo Presidente foi então dito que se ia preceder a eleição do Vice-Presidente da Câmara Municipal de Cravinhos, sendo recolhidas à urna seis cédulas, que apuradas deram o resultado seguinte: Dr. Alfredo Rodrigues Jordão, cinco votos; Tenente Ernesto Gomes Jardim, um voto; sendo pelo Presidente proclamado Vice-Presidente, o Dr. Alfredo Rodrigues Jordão.

Pelo Presidente foi declarado que ia proceder a eleição do Intendente Municipal, sendo recolhidas à urna, seis cédulas, as quais apuradas, deram o seguinte resultado: Fernando Machado de Oliveira, cinco votos; Tenente Ernesto Gomes Jardim, um voto, sendo proclamado pelo cidadão Presidente, que foi eleito Intendente Municipal , o cidadão Fernando Machado de Oliveira, tudo na forma da lei.

Em seguida, pelo Vice-Presidente da Câmara, Dr. Alfredo Rodrigues Jordão, foram feitos agradecimentos ao Dr. Juiz de Direito da Comarca, ao Tenente – Coronel Presidente, demais membros e Vereadores presentes da Câmara Municipal de Ribeirão Preto; ao Dr. Promotor Público da Comarca, às autoridades policiais, ao eleitorado e demais pessoas que assistiram o ato. Posteriormente, pelo cidadão Presidente foi convidado o Dr. Alfredo Rodrigues Jordão, Vice-Presidente da Câmara, para em nome dessa, telegrafar ao Excelentíssimo Sr. Dr. Presidente da República e ao Presidente do Estado de São Paulo, comunicando a instalação da Câmara Municipal de Cravinhos e, saudando-os por este fato, protestando franco e legal apoio às instituições republicanas, aos Governos da republica e deste Estado de São Paulo e, em idênticos termos , ao cidadão Dr. Manoel Ferraz de Campos Salles. Pelo cidadão Presidente foram convidados os vereadores, para reunirem em sessão ordinária no dia primeiro de fevereiro próximo. Em seguida, pelo cidadão Presidente, por nada mais haver a tratar-se, foi encerrada esta sessão, do que lavrei esta ata, que assinada pelo Presidente, Vereadores e pelos cidadãos presentes que o quiserem fazer comigo, Alípio César Rezende, José Ferraz de Carvalho, Secretário "ad-hoc", que a escrevi, dou fé e assino: Alípio César Rezende José Ferraz de Carvalho, Alfredo Rodrigues Jordão, Fernando Machado de Oliveira, Antônio Azevedo de Souza Júnior, José Nogueira Terra, Ernesto Gomes Jardim, Dr. J.ª Guimarães, Fernando Ferreira Leite – Presidente da Câmara Municipal de Ribeirão Preto, Eliseu Guilherme Christiano – Juiz de Direito da Comarca, Horácio de Rezende Meireles – Sub-Delegado de Polícia de Cravinhos, e, representando o Delegado de Polícia de Ribeirão Preto, Jéfferson Barreto – Vereador da Câmara Municipal de Ribeirão Preto, Leopoldo Marques Motta Guimarães – também Vereador da Câmara de Ribeirão Preto, Antônio Ezequiel de Camargo, João Felício de Mello, José Gambier, Saturnino de Carvalho, Dr. Arthur Palmeira Ripper, Pedro Arbues dos Santos, Pio Arruda (do "O Repórter"), Pedro Eugênio Cleta, José Pinto de Miranda, Horácio R. Meireles, João Evangelista Nogueira, José Ignácio da Costa Andrade, Manoel José Alves do Vale, D. do Sacramento – Secretário Municipal de Ribeirão Preto, Dr. Jerônimo De Cunto, Luiz Costa, Luvinda Bravo Ripper, Olga Monteiro da Costa, Francisca Baptista Reis, Carlota Augusta dos Reis Madeiros, Agda Freitas Machado, Hordália de Oliveira, Luiza de Freitas Machado Glorinha Machado, Anna Augusta de Vasconcelos, Mizael Gonçalves de Oliveira, José Carlos Gomes dos Reis, Ignácio Octávio Rezende, Alípio César Rezende, Secretário "ad-hoc".

  • Atualmente, a Câmara Municipal de Cravinhos localiza-se na rua Tiradentes, nº 263, na região central de Cravinhos.
  • Legislativo Municipal na atual Legislatura, desde o ano de 2005, é composto por 09 Vereadores, os quais se fazem presentes em Sessões Ordinárias, Extraordinárias e Solenes, além das outras atribuições que lhes são conferidas no Regimento Interno da Câmara Municipal e a na lei orgânica do município.

 

ASPECTOS HISTÓRICOS DA REGIÃO

 

  "Era no século passado, por volta do ano de 1876, quando a lavoura da província do Rio de Janeiro caía em franco declínio, já pela falta do braço escravo, já devido à esterilidade das terras, cansadas de produzir.

Valença, Vassouras, Pirahy, Barra Mansa e notadamente Rezende, o município mais rico e produtível, depois de atravessarem dias risonhos e de messes tranqüilizadoras, viam-se com as forças a exaurir-se, numa caminhada sem tréguas para medonha derrocada.

  Os inúmeros fazendeiros que ali viram antes vicejar esplêndidos cafezais, sentiam-se como que sem esperanças dum ressurgimento, ao mesmo tempo que o desânimo abatia implacavelmente suas energias.

  Compreendiam bem, com o seu amadurecimento tirocínio de longos e longos anos, empregados exclusivamente no cultivo de café, que era inútil, faltando-lhes os elementos essenciais, insistirem numa empresa por eles encetada e até bem pouco pródiga em recompensar o seu penoso trabalho.

  O Dr. Luiz Pereira Barreto, da ilustre e acatada família dos Barretos, residente em Rezende e possuidora de importantes propriedades agrícolas, em 1869, recentemente formado na Bélgica, transferia sua residência para Jacarehy, neste estado, então Província de São Paulo.

  Seis anos eram decorridos quando outros membros da referida estirpe, conhecendo a extensão do mal que assolava a lavoura de sua terra, resolveram procurar novas paragens onde, com esforço e inteligência, duas alavancas poderosas que lhes dotara a natureza, a sorte pudesse melhor lhes sorrir.

  Sem dúvida, apesar da tentativa frustrada de conseguirem na terra fluminense a meta de seus desejos, nem por isso arrefeceu-se a vontade inquebrantável de aguardarem uma segura oportunidade para colaborar num empreendimento que mais tarde viria a ser a maior riqueza do país.

  Antes, porém, de tal idéia ser posta em execução, dentre eles surgiu o Coronel José Pereira Barreto, o decano da irmandade, resolvido a realizar uma viagem de exploração às terras do chamado oeste de S.   Paulo, até então pouco conhecidas.

  A seu respeito obtivera vagas informações e, por isso mesmo, tinha bastante necessidade de conhecê-las, para depois, com segurança e confiante num futuro recompensador, com os seus, transportar-se definitivamente para elas.

  Eram enormes e insuperáveis os obstáculos que se antepunham a tão arrojada empresa, mas os Barretos, homens habituados a longas jornadas pelos sertões incultos, arrostando toda sorte de fadigas, preparavam-se resolutamente para a expedição que em breve deveriam efetuar.

  E foi numa bela manhã, numa manhã de sol em que a natureza tudo fazia sorrir, que os destemidos bandeirantes deixavam saudosos os seus lares queridos. José Pereira Barreto, reunido aos seus irmãos Miguel e Francisco, seus filhos Luiz e Bizinho, e o sobrinho Antônio de Paula Ramos, embarcavam na estrada de ferro D. Pedro II, seguindo até Cachoeira, ponto terminal desta via férrea.

Ali chegados em janeiro de 1876 e acompanhados de escravos pagens, transportando enormes cargueiros, que haviam partido antes pela estrada de rodagem, prosseguiram até Jacarehy, onde os aguardava o Dr. Luiz Pereira Barreto, também convidado e pronto para acompanhá-los às plagas tão faladas do oeste.

  Depois de uma demora de alguns dias em Jacarehy, para descanso das fadigas que lhes trouxera a grande caminhada ao longo do Vale do Paraíba, os ilustres Barretos, seguros no feliz êxito da aventura a que iam entregar-se, puseram-se de novo a caminho, atravessando uma custa extensão do sul de Minas.

  Galgada a Serra do Sellado, pequena ramificação da Mantiqueira, desceram em Camanducaia, atravessaram os vastos campos do Ribeirão do Fundo. Passaram ainda pelo povoado de Antas, Ouro Fino, alcançando de novo terras do estado de São Paulo.

  Do Espírito Santo do Pinhal, primeira localidade que pisaram do território paulista, e viajando pela velha estrada real de Campinas, em fevereiro do mesmo ano aportavam em Casa Branca, hospedando-se no hotel de Zeferino Arantes.

  Os intrépidos excursionistas, em companhia de José Hyppolito de Carvalho, lavrador ali residente, que os procurou oferecendo-se para guiá-los e prestar-lhes as informações de que precisassem, visitaram várias fazendas do município.

  A primeira percorrida foi a da "Lage" que tinha apenas 60.000 cafeeiros, já formados, e que haviam dado no ano anterior 18.000 arrobas.

  Os viajantes aí ficaram cheios de admiração com tal prodígio. A terra roxa, sem dúvida, mostrava-lhes claramente o seu incalculável valor e nada mais podia fazer-lhes duvidar da sua excelência.

  Conheceram em seguida a propriedade agrícola chamada "Brejão" de D. Veridiana Prado, com 300.000 pés, de 3 para 4 anos.

  Encantados com o que acabavam de observar em suas peregrinações pelas belíssimas lavouras de Casa Branca, os Barretos não puderam ocultar cada vez maiores, o vivo interesse e entusiasmo de que se achavam possuídos.

  O Dr. Luiz chegou mesmo a manifestar-se numa 'roda' onde conversava animadamente: "Estamos maravilhados... S. Paulo dentro de poucos anos será o maior empório cafeeiro do mundo... Para isso só lhe faltam fáceis meios de transporte... Felizmente o paulista é inteligente e empreendedor, e, em breve, fará com que as estradas de ferro rasguem todos os seus sertões."

  Sabedor do desejo dos Barretos de quererem adquirir terras para a cultura do café, o mesmo José Hyppolito, que os fizera conhecedores de Casa Branca, aconselhou-os a prosseguirem viagem, vencendo mais algumas léguas de sertão.

  Falou-lhes de Ribeirão Preto, relatando a extraordinária fertilidade de suas terras, quase todas virgens.

  Negrão, conhecedor de toda a redondeza, serviu de guia aos Barretos, no trajeto de São Simão a Cravinhos, pela antiga estrada que dali conduzia a Ribeirão Preto, e hoje, bastante modificada em seu percurso.

  Chegados, finalmente, às terras dos Cravinhos, tomaram-se de espanto defrontando tão bela e rica extensão territorial.

  José Hyppolito de Carvalho não se enganava quando afirmara que eram terras de primeira ordem. O vivo purpureado de seu solo e a luxuriante vegetação que ostentava, falavam bem alto da sua valia, inigualável ao de todas as terras por eles antes percorridas.

Podiam, pois, tornar-se os donos de tão rica propriedade; bastava para isso que o seu proprietário se prontificasse a entrar com eles em combinação. Não tardou, porém, que isso se realizasse.

  Antônio Caetano, caboclo valente, e que aqui residia, desconhecendo, talvez, o inestimável tesouro de que era possuidor, e do qual auferia insignificantes rendimentos com criação de porcos, não hesitou em fechar negócio com o Dr. Luiz Pereira Barreto, vendendo os 800 alqueires que compunham a sua fazenda por 36:000$000.

  Dessa forma, eis como os Barretos, vindos de tão longe, depois de uma viagem arrojada pelos sertões inóspitos, tornavam-se os senhores das terras dos Cravinhos, até então pouco conhecidas.

  As terras adquiridas compreendiam as áreas onde, hoje, estendem-se as importantes fazendas denominadas "Cravinhos" e "Jandaya". A parte sobre a qual assenta-se a cidade e mais terras adjacentes e que eram completamente virgens, chamavam-se "Canta Galo" e não entravam na compra efetuada de Antônio Caetano. Foi o mesmo Dr. Luiz, porém, quem as adquiriu, mais tarde, de Domingos Borges, seu proprietário, num total de 80 alqueires, pela quantia de 600$000!...

 E já que chegamos a um ponto avançado da evolução dos primeiros tempos de Cravinhos, sem nos determos nas 'etapas' de sua marcha progressiva, aqui descrita em rápida e singela síntese, deixamos para concluí-la assinalando as datas mais notáveis de sua história contemporânea:

· 27 de abril de 1893: criação do Distrito de Paz de Cravinhos, por lei nº 125.

· 22 de julho de 1897: elevação à município por lei nº 511.

· 21 de dezembro de 1897: fundação da Sociedade Italiana "Lavoro e Fratellanza".

· 30 de janeiro de 1898: instalação da primeira Câmara Municipal.

· 18 de março de 1898: criação da Paróquia de Cravinhos.

· 01 de agosto de 1899: fundação da Casa Pagano.

· 02 de outubro de 1900: lançamento da primeira pedra da Igreja Matriz.

· 12 de março de 1904: é instalada a Fábrica de Macarrão de Sylvio Aldinucci.

· 21 de fevereiro de 1905: inaugura-se a imprensa com a publicação do primeiro número de "O Cravinhos".

· 23 de junho de 1905: inauguração da Igreja Matriz.

· 12 de julho de 1906: foi fundado o Club Athlético.

· 14 de julho de 1906: Paulino Augusto de Araújo funda a primeira linha telefônica.

· 16 de fevereiro de 1908: é criada a agência do Correio de Serrinha.

· 24 de maio de 1909: inauguração do Paris-Cravinhos.

· 12 de outubro de 1909: é instalado o Grupo Escolar "João Nogueira".

· 12 de setembro de 1909: é inaugurado o Clube Recreativo Esportivo e Literário.

· 04 de outubro de 1910: celebra-se o contrato para a iluminação elétrica da cidade.

· 06 de abril de 1910: inicia-se a reconstrução da Estação Mogyana.

· 18 de outubro de 1911: é lavrado o contrato para o abastecimento de água e esgotos.

· 28 de agosto de 1912: é criado o Distrito de Paz de Serrinha.

· 20 de dezembro de 1913: inauguração do Éden Theatro.

· 01 de novembro de 1914: foi inaugurado o Mercado Municipal.

· 07 de junho de 1914: inauguração do ramal de Serrana.

· 24 de maio de 1915: inauguração do novo edifício do Grupo Escolar "João Nogueira".

· 16 de novembro de 1917: foi criada a Linha de Tiro 481.

· 21 de janeiro de 1918: inauguração do serviço telefônico da Bragantina.

· 30 de abril de 1919: benção da nova Matriz de Serrinha.

· 09 de julho de 1919: inauguração da nova Cadeia Pública.

· 06 de maio de 1922: instalação do Clube Recreativo Esportivo e Literário no novo prédio.

· 02 de julho de 1922: inauguração da Estrada de rodagem.

 

(fonte:"CRAVINHOS - Histórico, geographico, commercial, agrícola" do Prof. F. Gomes, 1922, 1ª Edição)

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